Onde comer em Buenos Aires: parrillas, pizza e cafés
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Quem viaja de Brasil para Buenos Aires costuma querer saber onde comer bem sem cair em armadilha de turista. A resposta passa por três ideias: carne na brasa numa parrilla, pizza grossa de herança italiana e cafés antigos para a hora da merienda. E, claro, aprender a jantar tarde.
O ritmo das refeições portenhas
Os portenhos tomam um café da manhã leve, almoçam direito, fazem a merienda no fim da tarde com café e algo assado, e só jantam depois das nove da noite. Muitos restaurantes abrem por volta das oito, mas a sala meio vazia a essa hora estará cheia duas horas depois. Se prefere evitar filas, chegue cedo ou transforme a merienda na sua segunda refeição.
Ninguém apressa a mesa e a conta costuma ser pedida à parte. Alguns lugares cobram o cubierto, uma taxa pelo pão e pelo serviço, o que é normal. Quando o atendimento é bom, deixa-se cerca de dez por cento de gorjeta. Os preços mudam depressa conforme a economia, então confira o cardápio na porta em vez de confiar em valores antigos.
Parrilla: cortes, pontos e entradas
Parrilla é a grelha e também o restaurante que gira em torno dela. A carne assa em brasa e chega quase só com sal; o chimichurri acompanha, não disfarça. Os cortes mais pedidos são o bife de chorizo (contrafilé alto), o ojo de bife (miolo do ancho), o vacío (fraldinha) e a entraña. Para dividir, peça uma parrillada mista. De entrada, a provoleta derretida é segura, e os mais ousados provam molleja, chinchulines ou morcilla.
Quanto ao ponto, jugoso é rosado e suculento, a punto é ao ponto e bien cocido é bem passado. Na dúvida, diga jugoso e confie no grelhador. Para algo mais simples, o choripán, linguiça no pão, resolve o almoço e é tão autêntico quanto qualquer restaurante famoso.
Don Julio e La Cabrera
O Don Julio costuma aparecer entre as melhores parrillas do mundo, conhecido pela carne maturada com cuidado; as mesas do jantar esgotam, então reserve com antecedência. A La Cabrera ficou famosa pelos pratos fartos de bife de chorizo e ojo de bife servidos com muitos acompanhamentos pequenos, ótimos para grupos. Ficam na região de Palermo, e depois do jantar dá para caminhar pelo bairro.
Pizza, empanadas e a herança italiana
A imigração italiana moldou a cozinha local. A pizza daqui é grossa, cheia de queijo e muitas vezes coberta de cebola em vez de molho de tomate. A estrela é a fugazzeta, pizza recheada com muçarela e cebola doce, e a fainá, de grão-de-bico, vai por cima da fatia. A Pizzería Güerrín, na Avenida Corrientes, é um clássico desse estilo, conhecida pela fugazzeta de massa grossa e pelas fatias comidas em pé no balcão. Fica na região dos teatros, perfeita antes ou depois de um espetáculo.
As empanadas, assadas ou fritas, vêm de carne, de presunto e queijo ou de humita, recheio de milho doce. Peça al horno se quiser menos gordura. Três ou quatro formam um almoço leve para comer num banco de praça. No dia 29 do mês, experimente os ñoquis, tradição antiga na cidade.
Mercados e cafés históricos
O Mercado de San Telmo, mercado coberto de 1897 com telhado de ferro, mistura barracas de antiguidades com empanadas e comida local. É ótimo para passear sem compromisso. Aos domingos há feira na rua e o bairro enche; de manhã cedo é mais tranquilo. Depois, caminhe pelas ruas de paralelepípedo ao redor.
O Café Tortoni, na Avenida de Mayo, funciona desde 1858 e é conhecido pelo chocolate quente com churros. É turístico, mas é parte real da história da cidade. Peça um submarino (leite quente com uma barra de chocolate para derreter) ou um cortado com medialunas, os croissants doces do café da manhã. Outra parada clássica é o El Ateneo Grand Splendid, livraria com café num antigo teatro, onde o café é servido no velho palco; vá na abertura para fugir da multidão. Se gosta de unir comida e cultura, veja também os melhores museus de Londres.
Bodegones e comida de bairro
O El Preferido de Palermo é um armazém-bar de estilo antigo, com pratos argentinos tradicionais e tábuas de frios. É onde sobrevive o Buenos Aires de antigamente: piso de ladrilho, vinho dividido e milanesas enormes. Para dividir, peça a milanesa a la napolitana, com presunto, molho de tomate e queijo.
Para mudar de ares, o Barrio Chino de Belgrano reúne mercadinhos asiáticos, casas de macarrão e barraquinhas de bubble tea. Não é cozinha argentina, mas mostra quantas comunidades formaram a cidade e alivia depois de vários dias de carne. Vá à tarde, quando tudo está aberto.
Doces, bebidas e um dia de exemplo
O doce de leite, o dulce de leche, está nos alfajores, nos sorvetes, nas panquecas e em quase toda a confeitaria. Os sorvetes seguem a tradição italiana: peça dulce de leche granizado. O mate é mais um ritual compartilhado que uma bebida; se lhe oferecerem, tome tudo e devolva a cuia no fim. No vinho, o Malbec é o tinto que representa o país.
Um dia gastronômico possível: café da manhã no Tortoni, passeio por San Telmo com umas empanadas, merienda tardia no El Ateneo e jantar longo no Don Julio ou na La Cabrera. Variação: uma fatia de fugazzeta no Güerrín antes do teatro.
Dicas práticas
- Reserve as parrillas mais famosas com alguns dias de antecedência.
- Confira os dias de folga; muitos lugares fecham às segundas ou entre o almoço e o jantar.
- Diga o ponto da carne: jugoso, a punto ou bien cocido.
- Vegetarianos se viram com provoleta, empanadas de humita, pizza e massas.
- Leve algum dinheiro em espécie caso o cartão não funcione.
Nosso guia de comida de Buenos Aires lista cada lugar com categoria e melhor horário, e você pode montar um plano dia a dia que os organize por proximidade.
Para continuar a viagem
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