O que fazer em Cusco: roteiro de pontos imperdíveis
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O que fazer em Cusco? Visite a Plaza de Armas, o Qorikancha, as muralhas gigantes de Sacsayhuamán, o bairro de San Blas e reserve ao menos um dia para o Vale Sagrado. A 3.400 metros de altitude, porém, o segredo não é ver tudo, e sim distribuir bem o esforço.
A altitude vem em primeiro lugar
Muitos viajantes chegam de avião de Lima e em poucas horas estão acima de 3.400 metros. Dor de cabeça, falta de ar e sono ruim são comuns nos primeiros dias. O mais sensato é fazer uma primeira tarde tranquila: beber bastante água, comer leve, evitar álcool e subir ladeiras devagar. O chá de coca é oferecido em todo lugar e muita gente se sente bem com ele. Se você tem problema cardíaco ou pulmonar, converse com um médico antes de viajar, sem se basear apenas em um texto de blog.
Por isso, deixe o que é plano e central para o primeiro dia e guarde subidas e passeios para depois. O centro histórico se faz a pé, mas as ruas íngremes que levam a San Blas parecem bem mais longas do que no mapa.
Plaza de Armas e a catedral
Comece onde a cidade sempre começou. A Plaza de Armas era o Huacaypata inca, uma praça cerimonial, hoje cercada por arcadas, cafés e pela catedral. À noite, com as fachadas iluminadas, basta sentar num banco: uma primeira hora gratuita e suave para o corpo se adaptar.
A Catedral de Cusco foi erguida sobre as fundações de um palácio inca e guarda pinturas da Escola Cusquenha, que misturou técnica europeia e motivos andinos. Repare em como santos e cenas aparecem vestidos e servidos ao modo local. Horários e ingressos mudam, então confirme nas fontes oficiais ao chegar.
Qorikancha e a pedra da cidade antiga
A poucos minutos ladeira abaixo fica o Qorikancha, o Templo do Sol, com o convento de Santo Domingo construído diretamente sobre muros incas. É o lugar mais claro para entender as camadas de Cusco: embaixo, blocos incas perfeitamente encaixados; em cima, arcos espanhóis. O pequeno museu do sítio ajuda a entender a arquitetura e os rituais.
Depois, procure os muros incas que ainda sustentam as ruas. Na rua Hatunrumiyoc está a famosa pedra dos doze ângulos, cortada para se encaixar nas vizinhas sem argamassa. Costuma ter gente; vá cedo ou no fim do dia. Ver como as juntas são justas explica a engenharia inca melhor que qualquer placa.
San Blas, mercados e onde comer
San Blas é o bairro dos artesãos, com escadarias de pedra, oficinas e pequenas galerias em torno de uma igreja simples. Vá no fim da tarde, caminhe sem rumo e experimente as carnes de forno a lenha do Pachapapa, na praça. O Mercado de San Blas é mais calmo que o grande e serve para artesanato e produtos frescos.
Para uma mesa mais popular, o Mercado Central de San Pedro tem bancas de frutas, queijos, sucos e almoços locais baratos. Escolha onde a população local faz fila e cuide dos seus pertences, como em qualquer mercado cheio. Para algo mais refinado, o Chicha por Gastón Acurio reinterpreta a cozinha andina e a Quinta Eulalia é uma picantería familiar conhecida pelo cuy e pelo rocoto relleno. No café da manhã, o Jack's Café é o favorito dos viajantes e o Café Ayllu, na praça, um clássico de pães e doces. Veja mais no nosso guia gastronômico de Cusco.
Sacsayhuamán e as colinas acima da cidade
Sacsayhuamán coroa a colina ao norte do centro e é famosa por suas muralhas em zigue-zague, com blocos descomunais. Dá para subir a pé em cerca de meia hora, passando pelo Cristo Blanco, ou ir de táxi e voltar caminhando. Prefira a luz da manhã e leve água.
De lá, uma caminhada leve pelo caminho inca liga Q'enqo, com altares esculpidos na rocha e passagens subterrâneas, a Puca Pucara e Tambomachay. É uma ótima meia jornada com vista para os telhados vermelhos. No fim de junho o local recebe a encenação do Inti Raymi, a festa do Deus Sol, que atrai multidões; planeje com antecedência se quiser coincidir.
Museus e noites culturais
Se chover ou o cansaço pesar, Cusco tem bons museus pequenos. O Museo Inka é a introdução mais completa aos incas, o Museo de Arte Precolombino funciona num casarão colonial e o Museo Machu Picchu - Casa Concha exibe peças ligadas às primeiras expedições. Muitos entram no bilhete turístico; compare antes de comprar avulso. À noite, o Centro Qosqo de Arte Nativo apresenta danças quéchuas e música andina.
Vale Sagrado e passeios de um dia
O vale abaixo da cidade é o segundo capítulo natural. Em Pisac há uma trilha íngreme até os terraços e ruínas, em Ollantaytambo a curta subida de Pinkuylluna aos depósitos incas, e entre as salinas de Maras e os terraços circulares de Moray há uma caminhada panorâmica. Chinchero e a laguna de Piuray oferecem um passeio fácil à beira da água.
Para aventura, há rafting em Huambutío, parapente em Pisac, bicicleta por Moray ou via ferrata perto de Ollantaytambo, sempre em altitude. Escolha operadores licenciados e se aclimate antes. Para Machu Picchu, ingressos e trens precisam ser reservados com muita antecedência e as regras são definidas pelas autoridades; consulte os canais oficiais.
Juntando tudo
- Dia 1: Plaza de Armas, catedral, Qorikancha e jantar tranquilo
- Dia 2: Hatunrumiyoc, San Blas, mercados, Sacsayhuamán e Q'enqo
- Dia 3: museus ou Vale Sagrado com Pisac e Ollantaytambo
- Dia extra: Moray e Maras, ou a viagem a Machu Picchu
Se a viagem segue pela América do Sul, veja o nosso roteiro no Rio de Janeiro e o guia de onde comer em Buenos Aires. Para outro jeito de organizar os dias por bairro, confira Paris em três dias. Monte seu trajeto com o plano dia a dia de Cusco.